Eu devia ter ido ao cemitério hoje, e não, não pelo
simbolismo, pela concretude mesmo. Porque foi lá, lá, que te vi pela última
vez, com a certeza de que seria a última, mesmo que você não tenha me visto
segurar tuas mãos, mesmo que você não tenha segurado as minhas de volta, mesmo
que você não tenha sentido meus lábios nos teus, mesmo que você não tenha
sentido o carinho que fiz no teu rosto e não tenha me visto tirando uma mecha
de cabelo da tua testa, eu, sim, vi tudo e ainda trago todas as peças desse
quebra-cabeça desmontado na retina, nas mãos e nos lábios. Não me importa se
não era mais você ali, como alguém gritou para mim, importa só que para mim
(ainda) era a última vez que te vi, com a camisa azul clara e uma calça que
imaginei jeans por baixo das flores. Margaridas? Isso não sei mais, elas fediam. Mas foi lá a última
vez que te vi, e por isso eu devia ter ido hoje.
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