quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quando não há amanhã


Ela não entendia dessas coisas de lua, sol, estrelas e planetas. Só achava a lua bonita, especialmente quando estava cheia e parecia que ia cair sobre seu quarto. Achava o sol muito quente, preferia quando ele se escondia atrás das nuvens. Gostava das estrelas, as quais demorou para descobrir que não eram pessoas queridas e mortas. Mas gostava de pensar que sua avó poderia estar sorrindo morando em uma delas. A avó tinha mesmo um sorriso brilhante. Os planetas eram uma incógnita, assim como o motivo pelo qual nunca mais viu seu pai. Será que a Terra roda mesmo? Na maior parte do tempo parece tão paradinha. E ele? Por que? Para onde? Preferia pensar na ração para as vacas, na porca que ia parir a qualquer momento, no patinho que não sobreviveu, no final da novela. E nas roupas secando no varal.

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