quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Seis da tarde

Não sei se é homem ou mulher. Seios, se houver, são pequenos. Um homem com poucos pelos ou uma mulher com muitos. Um rosto de cicatrizes, a boca rasgada a faca, o nariz espalhado, os olhos espremidos, o cabelo à navalha grudado na testa e nas têmporas. O quadril estreito. As pernas finas. E fede.

Fede a mijo. Fede a bosta. Fede a pinga. Fede a óleo. Fede a limão. Fede a pus. Fede a peido. Fede a sangue. Fede a suor. Fede a carne. Fede a porra. Fede a cigarro. Fede a menstruação. Fede a crack. Fede a fumaça. Fede a esgoto. Fede a baba. Fede a cera de ouvido. Fede a catarro. Fede a ranho. Fede a chulé. Fede a mofo. Fede a couro. Fede a tripas. Fede a enxofre. Fede a cola. Fede a vômito. Fede a cárie. Fede a sarna. Fede a pau. Fede a boceta. Fede a bexiga. Fede a sebo. Fede a banha. Fede a corrimento. 

E todos os dias levanta da calçada e pula na minha frente, atrapalhando minha passagem, me pedindo uma moeda.


Só uma moeda.




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