quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Café da manhã


Comprar cigarros. Agora, que a casa escureceu e silenciou, eu poderia comprar cigarros. Um roupão sobre a camisola, pantufas sobres as meias, o cabelo solto e os olhos inchados, o borrado do rímel que nunca consigo tirar, eu poderia sair sem que ninguém me visse, todos dormem, ouvi as respirações. E compraria um isqueiro porque não tenho isqueiros já que não fumo. O amor custa caro. E fumaria o primeiro cigarro em alguma padaria aberta vinte e quatro horas. Não se pode mais fumar em padarias. Então um bar. Vodka ou whisky em vez de café e coxinha. E mais um cigarro. E alguém poderia perguntar se estou acompanhada. Não, eu diria. E sorriria. E mexeria no cabelo. E soltaria a fumaça espremendo os lábios e os olhos. E talvez abriria minhas pernas para sentir que o amor pode não custar tão caro assim. E fumaria mais um cigarro na espelunca em que estivesse. Tem pizza fria? Não, não sei seu nome e não preciso saber. Também não sei o meu. Suzana ou Vanessa. Rita ou Marília. Não gosto de azeitonas. Você já leu Tolstói? Uma cerveja com a pizza fria. Não, não preciso dessa sua mão na minha ou no meu cabelo. É só isso e não é nada demais. Mais um cigarro. Uma varanda. Um canal. Uma cachoeira. Uma rua de pedras. E voltaria com as meias nas mãos, ainda mais descabelada, fedida, pronta para me enfiar na cama e estar em pé logo em seguida com o café da manhã pronto para eles. Porque é só disso que se trata.




Um comentário:

  1. É só disso mesmo?
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br/

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