quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As mortes nossas de cada dia


E à meia-noite ela chorou. Pouco, mas chorou. Pelos sorrisos daquele dia, as frases ouvidas, a conversa ao redor da mesa, as gargalhadas, o gozo, os sussurros, os abraços, as lições, o café sem açúcar, o cheiro de banho, a quentura de um bolo recém-saído do forno, a alegria...alegria de um dia que agora, meia-noite e um, só existe na memória. E sua família tem histórico de Alzheimer. E por isso ela chorou. Pouco, mas chorou.

Um comentário:

  1. Muito bom! A realidade daqueles que ainda teem conciência é triste, mas, passageira.

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