sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O pacote

Foi quando acordaram, o quarto ainda não totalmente claro, que viram o pacote no chão, um obstáculo no caminho para o banheiro. Um pacote estereotipado para presente, envolto em papel roxo brilhante e finalizado com um laço vermelho per-fei-to.  

Ele pulou o embrulho e entrou no banheiro.

Não vai abrir?, ela perguntou.

Ele levantou os ombros: e que diferença faz saber o quê se tem por dentro? E se descobrirmos um coração que bate falhado? Um estômago corroído? Pulmões bloqueados? Sangue muito grosso ou muito fino? E se o quê se tem por dentro for simplesmente impossível de ser revelado?


Ao meio-dia, ela enterrou o pacote na areia. Ainda brilhando, ainda perfeito. 

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